Mais um resumo

“Você devia ter depositado mais fé na gente. Mais fé em mim, principalmente. Você não tem absolutamente nada demais e eu via em você o melhor do mundo. Te valorizava e te tratava como se a Fernanda Lima tivesse azar, coitada, por estar com o Rodrigo Hilbert e não você. Eu era fiel, de todas as maneiras possíveis, porque o meu corpo nem aceitava outra pessoa. Você devia ter se dado conta do quão raro e mágico é isso, principalmente hoje em dia. Fui sua amiga, sua parceira, sua confidente, seu ouvido e seu colo. Fui tudo que eu podia e não podia, fui do avesso e de todos os ângulos possíveis. E a gente poderia ter sido muito mais. Não sei se alguém vai se entregar pra você do jeito que eu me entreguei. Tão pura , tão descobrindo o amor. Acho muito difícil, sabe? Todo mundo anda todo remendado e desacreditado por aí. Difícil achar um coração zerado… o meu era teu e você não foi capaz de enxergar a imensidão disso. Sou grata a você, porque saí de nós pronta pra qualquer coisa. Qualquer dor. Sou grata também por ter me deixado tão solta, mas tão solta, que eu pude voar pra longe e descobrir que existe um mundo apesar de você e que esse mundo é incrível. Incrível a ponto de nem dar pra te enxergar aqui de cima. Parece uma formiguinha. Tá achando engraçado? Eu acho a coisa mais triste que poderia ter te acontecido. E sei que, se não hoje, um dia você vai achar também.”

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Até ontem

Aliás, foi melhor? Foi bom? Me diga. Me conte. Roteirize a cena pra mim. Vamos lá, eu quero saber. Entrei no seu jogo e estou dando uma oportunidade pra você se gabar. Não desperdice. Pegue. Foi bom? Foi melhor? Espero no mínimo um sim, que tenha valido a pena, porque você pôs a perder algumas coisas que até ontem pareciam importantes. Defenda-se.
– Gabito Nunes
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Medo de tudo. Medo de nada.

Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. De alterar o trajeto para apressar encontros. Medo de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Você tem medo de se apaixonar. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo de que ele não precise de você. Medo de que não queira reparti-lo com mais ninguém. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir.
– Fabrício Carpinejar
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De todas as maneiras, porém não mais.

“Eu sempre te amei sob qualquer circunstância que passamos. Te amei quando não podia falar comigo. Te amei quando me fazia sorrir. Te amei quando me fazia chorar. Te amei quando passávamos noites conversando. Te amei quando você dizia me amar mais. Te amei quando você quis partir. Te amei quando ninguém te amava. Te amei quando você não queria falar com ninguém. Te amei quando estava sozinho. Te amei quando estava com outra. Te amei quando me beijava devagar. Te amei quando disse que me odiava e também quando falou que eu só te atrapalhava. Te amei quando mentiu sobre isso só pra me ver longe. Te amei quando me fazia carinho. Te amei até quando não acreditava mais em amar você. Te amei quando disse que eu era tudo pra você e quando me disse que eu não era uma boa pessoa para se estar. Eu te amei de todas as formas que eu podia, me doei ao máximo e fiz de você meu ponto fraco. Você sempre foi tudo pra mim, aquele que eu sempre pude contar quando precisava, mas seu único defeito sempre foi o seu orgulho e você me perdeu por isso. Sempre disse que não viveria sem eu estar ao seu lado mas nunca me impediu de partir, nunca tomou iniciativa e isso vai desgastando aos poucos, vai corroendo a gente. Te amei principalmente em todos os momentos enquanto estávamos juntos, mas o amor é um fardo pesado demais para uma pessoa só segurar. Eu te amei, mas amei sozinha.”

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Ainda aprendendo

“Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto. Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las. Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando. Eu aprendi… Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida. Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho. Aprendi… Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei. Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem. Aprendi que perdoar exige muita prática. Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso. Aprendi… Que nos momentos mais difíceis a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas. Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso. Eu aprendi… que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro. Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso. Eu aprendi… Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto. Aprendi que numa briga eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver. Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem. Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida. Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes. Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio. Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos. Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre. Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.”

William Shakespeare

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Talvez sem jogos

“Talvez eu tenha me entregado rápido demais, tenha te desejado demais. Talvez eu devesse ter dado menos sorrisos, contado menos sobre minha vida ou até demorado pra responder suas mensagens de madrugada. Talvez eu tenha queimado a largada, sem fazer joguinhos ou qualquer outro artifício pra te ter ao meu lado. Talvez eu tenha sido uma boba apaixonada, talvez meus olhos tenham brilhado mais do que o comum e as palavras tenham me faltado. Talvez você seja o certo, talvez não. Talvez isso seja amor, paixão, ou só um romance que dura apenas 2 horas. Talvez eu devesse ter dito que não estava pronta para um relacionamento sério. Talvez eu não devesse ter usado rabo de cavalo e penteado os cabelos como todas garotas costumam fazer. Talvez eu devesse ter usado um vestido rosa e não uma regata branca. Talvez eu devesse ter feito você querer mais, sempre mais. Devesse ter te deixado com vontade e não saciado. Talvez seria certo não atender sua ligação ao primeiro toque. […] É, talvez. Talvez eu tenha pulado etapas, deixado que o sentimento me dominasse, ignorado meu cérebro dizendo o que fazer. Talvez eu devesse ter assistido menos filmes de comédia romântica, lido menos livros do Nicholas Sparks. Talvez eu não devesse ter depositado todas minhas esperanças em você, talvez eu nem devesse ter alguma esperança. Mas todos nós temos nossas fraquezas, e a minha foi você. Eu não me contive, como uma criança inocente me deixei levar pelo momento, pelo seu sorriso e pela sua influência. Mas quer saber? Não me arrependo. Quantas pessoas você já perdeu por que teve medo de se entregar? Não tenha medo de cair de cara no chão. Aquele cai ainda pode se levantar. E bem mais forte.

As pessoas tem que gostar de você pelo que você é. Sem joguinhos. Não tenha medo de se entregar.”

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Vivendo significativamente

“Já perdoei erros quase imperdoáveis. Tentei substituir pessoas insubstituíveis, e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me desiludi com pessoas que nunca imaginei que me desiludiriam. Mas também, desiludi alguém. Já abracei pra proteger, já ri quando não devia. Fiz amigos eternos; e amigos que nunca mais vi. Amei e fui amado. Mas também fui rejeitado. Fui amado e não amei. Já gritei e saltei de tanta felicidade. Já vivi de amor e fiz promessas eternas. Mas também me magoei muitas vezes! Já telefonei só para ouvir uma voz, e apaixonei-me por um sorriso. Já pensei que fosse morrer de tanta saudade. Tive medo de perder alguém especial, e acabei perdendo. Mas vivi, e ainda vivo! Não passo pela vida. E tambem tu não deverias passar! Bom mesmo, é lutar com determinação, abraçar a vida com paixão. Perder com classe, e vencer com ousadia. Porque o mundo pertence a quem se atreve, e a vida é muito para ser insignificante.”

– Charles Chaplin

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Carta errada

“Eu não sei. Na hora pareceu uma boa saída, sabe? Estava tão cansada. No redemoinho da situação, no calor da hora a gente fala um monte de bobagem, troços que intimamente pensamos, mas não cabe dizer. Eu não queria dar um tempo, eu só queria terminar com aquela gritaria, fugir, sei lá, virar pó, qualquer coisa. Ele não precisava ouvir algumas coisas que eu disse. Sei que o magoei.”

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Erros iguais

“Eu podia começar outro texto dizendo o quão arrependida eu estou. Posso dizer que nunca imaginei que você fosse um erro, que eu achei que você era o cara.

Seria fácil enganar a todos dizendo que eu não sabia onde estava me metendo; seria fácil me enganar, até. Mas, pela primeira vez em todos esses casos de amor inegavelmente falidos, eu sabia exatamente onde estava me metendo. Sabia que você era um erro, e sabia que estava cometendo-o. Sabia na hora que te conheci, com esse teu jeito de moleque travesso, essa pose de machão e esse sorriso irônico.

V, eu sabia onde estava me metendo porque, pela primeira vez, eu encontrei um erro tão grande que eu poderia te chamar de “eu”. Igualmente irônica e travessa, eu nunca deixei você ganhar a batalha de quem é mais fodido. Mas também nunca ganhei, porque éramos iguais. Somos iguais, devo dizer. Eu gamei pelos seus defeitos, defeitos que eu conhecia tão bem. Me disseram que eu fiquei assim porque estava esperando que, consertando você, eu me consertaria também. E é verdade, V. Eu queria te consertar, para você me consertar. Não como algo que você me deve, mas como algo que dividimos. Algo que além dos erros, do jeito, do gosto musical e da nossa atração. V, não sei dizer o porquê, mas essa atração é louca, instantânea e forte. Não digo que é amor; amor é para os que não tem o que tínhamos. Éramos amigos, mas também éramos amantes. Éramos “nós” e não é nada melhor.

V, você é meu erro e eu sou o seu.”

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Aquele momento que entendem mais você do que você mesmo

“Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins. Mas tudo é dor afinal, e eu não sei ser leve, eu não sei voar. E chorei porque tenho tanto medo de tudo o que é inteiro, que prefiro viver tudo na cabeça, enquanto o corpo relaxa na minha cama, longe de tudo. Eu deito na minha cama e imagino tudo o que pode acontecer, enquanto não toco de verdade na vida para não cansar demais e depois não ter forças para viver de verdade. Mas acabo dormindo e deixo pra depois.”

Tati B.

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