“Geração Coca-Cola – e agora, com vodka.

Mal sabia Renato Russo que, as coisas ainda poderiam piorar.

Vira e mexe algo hediondo estampa a capa de um jornal, e infelizmente, o rosto embaçado nunca é um erro na imagem, um jovem está envolvido no caso. E então, o que fazer? Se bater não pode e colocar de castigo não adianta? Conversar, pra quê? O fone de ouvido deles sempre está alto demais para ouvir coisas desse tipo.

Quando aconteceu essa corrupção cerebral? Até outro dia eles eram crianças, e não sabiam o significado da palavra estuprar. E hoje sabem, como sabem.

Sinto vergonha de ser uma adolescente nos dias atuais. Sinto vergonha de ver jovens – alguns próximos até demais – se transformarem em algo que até onde eu me lembro, consideravam errado.

Não é preciso beber para se divertir, não é preciso beijar uma dezena de caras em uma noite para mostrar que é sexy, não é preciso matar a namorada para mostrar que a ama, não é preciso matar o cachorro de rua para mostrar que é valentão. Do que adianta o dez na escola, e o zero na vida? Está reprovado para sempre.

E sim, eles sabem o que fazem, eu sei, porque eles não saberiam? E parem de colocar a culpa no dinheiro, classe social não muda nada, só o andar no qual a criança é jogada, ou o lugar em que o corpo é escondido.

O dinheiro faz aparecer e desaparecer, literalmente, não é mesmo?

Não quero impressionar ninguém, ou dar lição de moral. Até porque, meus dezesseis anos ainda não me mostraram o suficiente para saber tudo de tudo. O que eu sei é apenas o que eu não quero. E se quer saber? Tenho muito orgulho de odiar coca-cola.”

créditos: http://www.depoisdosquinze.com