O sinal finalmente tocou.

Era hora de te encontrar outra vez. Aquelas últimas três aulas depois da ultima vez que te vi, no intervalo, pareciam que iriam durar uma eternidade. Mas não, elas já tinham acabado e as borboletas do meu estômago pareciam ter despertado quando saí daquela sala.

A frente do portão da escola estava cheio, todos tinham acabado de sair. Então eu olhei para todos os lados em busca de algum sinal de que você estaria ali, mas não estava. Me juntei aos meus amigos e ficamos ali conversando. As vezes eu olhava lá pra dentro da escola pra saber se você estava vindo, mas não via ninguém. Minhas esperanças de te ver mais uma vez naquele dia foi se acabando e eu estava prestes a ir embora dali.

Mas de repente, no meu único minuto de distração você aparece ali, na minha frente e também estava com seus amigos (por que eles tinham que ser tão idiotas?), as borboletas ficaram ainda mais agitadas, da mesma maneira que elas ficam sempre que você joga aquele seu cabelo idiota para o lado. Naquele momento, nenhuma palavra foi dita, e muito menos escutada. O mundo parecia ter parado e todas as pessoas que estavam ali, também.

Você me viu, eu sorri, você não. Continuou andando como se eu não fosse ninguém importante para você, e isso eu sabia que era. As borboletas pararam, o barulho voltou, as pessoas apareceram novamente e o mundo começou a girar de novo. Por que você fez isso? Apenas um gesto, por menor que tenha sido, tinha acabado com o resto do meu dia.

Ignorei todos que estavam ao meu lado e apenas saí andando sem olhar para trás, como uma criança querendo fugir do escuro. Aquelas pessoas atrapalhavam e eu não conseguia passar sem que estivesse esbarrando em alguém. Esbarrei em você também, você me viu, eu não. E também não virei para pedir desculpas pelo empurrão, não tava pensando nisso naquele momento. Só queria sair dali e chegar logo em casa. As lágrimas já começavam a aparecer e agora tudo na minha frente estava embasado.

Consegui finalmente passar por aquelas pessoas barulhentas e espaçosas, já não estava mais na frente da escola. Esfreguei o braço com o casaco que estava usando nos olhos para conseguir enxergar tudo normalmente, sem lágrimas invasoras para me atrapalhar. De repente ouvi uma voz que parecia se aproximar cada vez mais de mim. Virei para ver o que era, e para minha surpresa, você estava vindo correndo em minha direção.

– Espera! – você gritou.

Parei onde estava e pensei o que você poderia querer comigo com toda aquela pressa. Mas não precisei esperar muito para descobrir, no momento que você me alcançou e segurou meu braço eu já parecia ter certeza do que você faria. E não precisava falar nada, aliás, nada foi dito naquele momento, você só me olhou e eu sorri, você sorriu de volta e me beijou. Um beijo que não poderia ter sido melhor, a adrenalina parecia ter percorrido cada parte do meu corpo naquela hora, e acho que isso realmente aconteceu.

E as borboletas? Ah, elas estavam mais agitadas do que nunca, parecia até que estavam livres em um jardim florido, mas dessa vez não estavam no meu estômago, estavam no meu coração.

xxx