Ela o ama. Ele a ignora e se vai.

Outros aparecem para livrá-la desse sofrimento que ela não merece, tudo parece caminhar perfeitamente bem. Ele resolve reaparecer na vida dela, ela sempre acreditou no destino e acha que desta vez tudo será diferente. Ela sorri. Ele se vai mais uma vez. Ela chora. Tenta esquecer com qualquer outro, em qualquer lugar, mas ele parece ter espalhado sua marca em todos os lugares que ela vai. Só a resta saber por que ele faz questão de fazê-la pensar nele constantemente. E ela pensa. Todos os dias. O dia inteiro.

O único instrumento que eles têm para se encontrar é o principal motivo da distância. Pode ser suficiente para ele matar a vontade que tem dela, mas a vontade que ela tem dele só se satisfaz quando sente o calor do corpo dele. Através de duas telas eles conversam, mas não dizem o que desejam. Pelo menos não ela.

A história que espalharam sobre fim do mundo parecia uma boa desculpa para falar tudo que está preso em sua garganta e em seu coração há tanto tempo, afinal, não existiria dia seguinte. Ela falaria, se aliviaria e tudo acabava ali. Mas apareceu a seguinte questão: e se aquele não fosse o último dia da existência deles dois? Será que podemos chamar assim “existência dos dois”? Porque me parece que cada um tem sua própria vida, apesar dos mesmos pensamentos. E foi o que aconteceu, nada foi dito por nenhum dos dois. Talvez por esse motivo o mundo resolveu continuar aí, para dar mais uma chance a esses dois idiotas que tem todas as chances e nenhuma coragem. Nenhum deles tem. Uma pena. Se eles tivessem dito o que queriam e o mundo não acabasse, pelo menos aquela angústia acabaria de uma vez por todas dando lugar a um novo começo.

Falando em começo… Ela anda pensando muito em como tudo começou, acho que é o que acontece quando sentimos que alguma suposta relação está chegando ao fim.

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