Eu tinha acabado de entrar naquele trem tão pontual, que não estava nem um minuto sequer atrasado ou adiantado.

Pensava em como seria minha nova vida, com uma nova rotina, e muitas novas descobertas, enquanto procurava o assento que estava indicado na minha passagem, 14H, era nesta proltrona que eu estaria indo em direção ao lugar que mudaria minha vida, de vez.

Quando finalmente encontrei meu lugar, vi que não faria aquela viagem sozinha. Um rapaz estava ali sentado no canto olhando para o lado de fora da janela com fones de ouvido discretos. Ele provavelmente estava deixando para trás alguém especial, dava para perceber pela expressão estampada em seu delicado, mas ao mesmo tempo bruto, rosto.

Com a barba por fazer, cabelos lisos castanho bagunçado, traços do seu rosto como se tivessem sido planejados a cada milímetro, tudo por serem tão perfeitos e criarem juntos uma perfeita armonia em sua face. Um olhar distante enquanto o Sol fraco de fim de tarde batia em parte do seu rosto. Ele parecia pensar em o que faria depois que aquele trem parasse na últia estação. Éramos dois.

Sentei-me ao seu lado e me acomodei, pois o trem já iria partir. Ele me olhou e de perto vi o fundo de seus olhos castanhos esverdeados, tive a impressão que tivemos a mesma impressão. Sabíamos para onde o destino, ou o trem, nos levava. De repente, tudo fez sentido.

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