Meus olhos estavam pesados, meu corpo pedia descanso, minha mente pedia você. Estava sozinha em casa naquele final de semana, três dias só para mim, mas com certeza meus pensamentos não teriam essa exclusividade, você os invadiria a qualquer momento, eu já estava preparada para isso. Falando em estar preparada, eu estava para dormir também, meu iPod estava plugado no mini sistem na lista de reprodução de músicas lentas e melosas na qual costumo escutar antes de dormir.

Percebia os minutos e depois algumas horas se passando, tinha ido me deitar às 22h e 00h eu ainda estava bem acordada pensando em cada verso daquelas músicas e os encaixando em partes de alguns de nossos momentos.

O interfone tocou. Primeiro achei que fosse impressão, depois de mais um toque achei que poderia ser de algum outro apartamento. Tocou mais uma vez, e dessa vez mais alto. Não tinha mais dúvidas, era no meu apartamento. Não levantei a princípio, nunca atendo o interfone quando estou sozinha em casa, ainda mais numa madrugada de sexta-feira. Mas aquele barulho insistia, não me deixaria dormir e comecei a ficar preocupada, e se fosse sério, como incêndio, ou algo assim? Esse pensamento foi suficiente para me convencer dar um salto da cama e correr até a cozinha para atender.

Quando a voz meio sonolenta do porteiro anunciou seu nome, eu não acreditei e pedi pra ele repetir perguntando se ele tinha certeza que tinha ligado para o apartamento certo. E tinha. Era realmente você. Mas como? O que te fazia vir de tão longe para aparecer na minha porta assim? Vesti o roupão que estava mais próximo e desci correndo, mal notei que estava descalça.

Quando o elevador parou na portaria e a porta se abriu, senti meu corpo todo gelar, como se tudo parasse de funcionar de tão congelado que meu corpo estava por dentro, meu coração era o único órgão que deu sinal de que seu trabalho estava sendo feito quando senti cada batida, eram muitas para apenas um segundo.

Tomei coragem e saí daquele quadrado espelhado para ver o que me esperava do lado de fora.

Chuva, muita chuva. E você parado em pé em baixo dela, como se nenhuma gota d’água estivesse te atingindo.

Percebi que o gelado do meu corpo também era por conta da baixa temperatura que estava lá fora.

Pouco foi dito entre nós, mas muito foi sentido e pensado. Você estava com duas malas do lado, tinha vindo para ficar.

Subimos e preparei chocolate quente para nos aquecermos enquanto você se enxugava e colocava uma roupa seca.

Quando você chegou até a porta da cozinha, com os cabelos ainda bem úmidos e bagunçados e um pijama que te deixava ainda mais encantador, não pude fazer mais nada além de entregar sua xícara com o chocolate.

Fomos para o quarto, e lá muita coisa com certeza seria dita, não leva para o outro lado da coisa, foram horas de conversas e vontades saciadas. Vontade um do outro, conversa por palavras ditas e não escritas, e matando a imensa saudade de algo que nunca tínhamos tido antes.

Aquele (e muitos outros finais de semana) não seria pensando em você. Eu estava mais uma vez enganada, a vida é uma caixinha de surpresas e você é muito mais que isso. Dessa vez para variar, seriam dias com poucos pensamentos e muitos gestos. Aqueles tão esperados, principalmente por mim.

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