Vinte e cinco de dezembro de dois mil e dez. Um ano atrás. Um passado que parece tão distante mas que foi apenas há… um tempo atrás. Os dias sucessores a ele se arrastaram como se estivessem presos à passado, e talvez até estivessem. Você consegue se lembrar de um ano atrás? E de todos os planos que tínhamos, das expectativas, dos desejos? Eu pedi você. Apenas você. Um único desejo, um único pedido, um sonho que como podemos ver… Não foi tão real quanto poderia e deveria ser. Doze meses se passaram, e estamos mais distantes do que nunca: tanto de nós mesmos, tantos um do outro, tanto de tudo. Porém, só te faço uma pergunta: Você se lembra de tudo o que aconteceu nesses dozes meses? Pois eu lembro de cada briga, cada discussão, cada despedida, cada reconciliação, cada lágrima, cada sorriso, cada dia em que eu tive vontade de largar tudo aqui e ir até você apenas para dizer que tudo ficaria bem e que você era incrível.E esse é o meu problema: eu lembro de tudo. E essas lembranças me corroem, devoram o que restou da minha alma. Nossas lembranças pisoteiam o que restou de mim, aquela parte que nunca poderá ser nada além de nada. E por lembrar, meu amor, por lembrar tão nitidamente de cada momento eu te peço novamente como um presente. Por lembrar e por ainda te querer, por ainda te amar, por ainda te desejar e por ainda conseguir perdoar o que fizemos com nós mesmos. Mas você está bem… feliz. E eu não poderia estragar isso, jamais. Então, não peço nada, não digo nada, apenas penso e relembro… Todos os dias.

Acho que você sabe o quanto eu odeio despedidas, final de ano, pessoas comemorando o fim de algo que já fora tão grandioso para elas. Eu odeio essa sensação de embarcar no desconhecido criando expectativas para coisas tão inexistentes(como nós que somos tão subitamente existente apenas na minha cabeça). Só que eu odiando ou não, preciso dizer adeus ao velho e olá para o novo. Promete não ir embora? Quer dizer, você já foi… Não tem nem sentindo dizer essas coisas, ou escrever essas coisas: Você não irá ler, você nunca lê, você nem lembra que eu existo. Mas tanto faz agora, eu acho.

A verdade é que eu sinto sua falta. Não desse você de agora, que é maduro, responsável e independente. Sinto falta daquele garotinho que dizia precisar de mim, consegue se lembrar dele? Aquele que tinha suas inseguranças, que tinha medo do mundo, que sempre procura um abraço no vácuo. Aquele que chorou comigo ao telefone quando tudo terminou, aquele que decidiu o que era melhor para ambos…Aquele garotinho que se dizia se tããão meu. Não que eu o queira mal novamente, apenas te quero e por isso… e por isso… E por isso sinto sua falta, ou do que você era, ou do que você representava, apenas sinto sua falta. E muito. Todos os dias, todas as semanas, todos os meses. Eu sinto sua falta, e parece que essa saudade já se tornou um órgão vital em mim. Essa saudade é uma força vital que me enfraquece e fortalece, ao mesmo tempo.

Preciso conversar com você, preciso saber como está a sua vida. Preciso saber se faço falta, se você ainda acorda com vontade de ouvir a minha voz(pois tem semanas que a única coisa que me vem a cabeça é aquela sua voz mansa com aquele sotaque cativante), se você ainda tem medo de aranhas. Preciso saber se o pequeno Fred está bem, se você ainda já tomou coragem da dar um banho nele. Eu preciso saber de você. Esse silêncio está me matando. E eu sei que você agora é um homem ocupado, que agora tem uma vida, um emprego mas… custa tanto dar noticias, dizer se está vivo, se está bem? Ainda mais pra mim, que costumava ser tão… especial pra você.

Você sumiu, e agora eu não tenho nem como lhe dar os parabéns. Pelo quê?Por esse um ano em que você permaneceu em mim, por esse um ano em que você esteve ao meu lado(mesmo sem saber), por esse um ano em que tudo o que eu consegui pensar foi em… você. Por você ter sido o motivo das minhas risadas, o motivo das minhas lágrimas. Por você ter o meu ódio, a minha raiva, o meu amor, a minha saudade. Por ter me tornado essa pessoa clichê. E que agora, chora assistindo à filmes românticos, e que deseja morrer quando o final feliz não existe. Parabéns. Por mais um ano, por mais um amor, por mais uma vida, por ser o meu tudo. E acima de tudo, parabéns por me transformar em apenas mais uma.

Eu estou sorrindo, mas isso não significa que eu esteja feliz, essas palavras machucam, você não sabe o quanto. Óbvio, você não está aqui para sentir o que eu sinto. Os dias passaram e eu continuei sorrindo, mesmo com a dor me engolindo, a saudade me esmagando e o passado me corroendo. Eu sorrio para o mundo, mas só porque sorrio não quer dizer que eu deseja estar nele. Parabéns, D proibido. Parabéns por ser tudo o que eu mais amo e odeio. E por me proporcionar nesse ano a infelicidade de uma vida inteira, e mais ainda, por me mostrar a felicidade que não se encontra de nenhuma outra maneira a não ser sofrendo. E principalmente, desculpe-me, por não estar perto quando você mais precisou, por não estar ao seu lado quando tudo o que você necessitava era de um abraço e um pouco de silêncio. Desculpe-me por vezes ter sido o motivo das suas lágrimas, da sua raiva súbita e até do seu sorriso mais lindo. Desculpe-me por alimentar aquilo que eu jamais poderia cuidar, por ser dona de um amor que eu jamais mereci. Desculpe-me por ser tão dura com você: é que eu ainda não consegui aceitar que tudo acabouDesculpe-me, acima de tudo, por ainda, depois de tudo, continuar a te amar. 

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