A menininha inocente inovou. Já não é a mesma, já não tem os mesmos gostos musicais, a roupa é diferente, trocou bonecas por maquiagem. Sonhos se foram assim como o vento. A meiguice se perdeu no meio de tudo. Desconfianças surgiram. E a realidade afetou, mostrando que nada é parecido com um conto de fadas, com princesas e príncipes. Teve que mudar, se adaptar. Começou a ter mais responsabilidades e deveres. Viu, presenciou cenas jamais esperadas. Teve o coração partido, sofreu, ainda não aprendeu, mas amadureceu. Certo, isso são amarguras da vida, fatos reais, que uma hora ou outra teria que acontecer. Viu tantas pessoas partindo. Teve que aturar tudo que os outros faziam. Presenciou maldade, crueldade. Aturou falsidade. Percebeu que sua ingenuidade, sua infância, jamais voltará, pede-se desculpa todas as vezes que implorava crescer, sem saber que nem tudo é um mar de rosas, deseja voltar no tempo. Perdeu-se no tempo, viveu o inesperado. E a menininha chorou, sorriu, enlouqueceu, mudou, cresceu. A menininha era eu.

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