Hoje tive a impressão de que você estava vindo até a porta me receber como sempre fazia. Impressão de que eu pediria para você parar de latir quando os gritos de comemoração do gol do Flamengo ecoaram dentro do nosso apartamento. Impressão de acordar do cochilo depois do almoço sabendo que você estaria ali e que tudo não tinha passado de um horrível pesadelo como muitos que eu já tive. Mas tudo não passou de impressão, foi tudo criado pela minha imaginação como uma forma de ainda estar com você, e se essa for a única maneira de ter você comigo, não quero que isso suma nunca. Quero ter sempre essas impressões, quero achar que acordarei com sua lambida aos domingos, que terei que catar a ração que você espalhou pela casa por revolta de eu ter saído e chegado tarde, de te dar o resto do café da manhã que eu não quiser mais, de jogar aquele brinquedinho que você tanto gostava de correr atrás, só para ver e rir do seu jeito desajeitado de escorregar pelo chão da casa e bater nas paredes do corredor. Nunca vou me despedir de você completamente, Max. Você sempre estará comigo, não importa a maneira nem a ocasião, não importa quanto tempo passe desde que esse sábado horrível aconteceu. 20, 30, 40 anos a partir deste, você ainda estará vivo em mim assim como esteve logo na primeira vez que te vi. Obrigada por todos os momentos de alegria que você me proporcionou, obrigada por você ter estado do meu lado mesmo quando eu insistia para você sair, por você ter me ensinado a amar incondicionalmente, por todos os sorrisos que você conseguiu me tirar nos piores dias, por todas as vezes que você me viu chorando e vinha para perto de mim pedir carinho e mostrar que de alguma maneira você estava ali e que tudo passaria. Graças a você eu sou esta pessoa hoje, graças a todas às 24 horas dos 7 dias, das 4 semanas, dos 365 dias, desses 11 anos. Eu te amo, meu anjo. Não sei onde você pode estar agora mas desta casa você nunca sairá, nunca.

Com amor, sua eterna mãe.

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