“Não fica tentando fazer com que eu me sinta mal – eu já admiti pro mundo inteiro que eu tô só procurando desculpas. A gente não sabe mentir pra si mesmo, tá certo? Você teve razão esse tempo todo. Só que eu preferia como era antes, mais descomplicado e vazio. Eu não gosto dessa intensidade toda pela qual a gente tá passando. Quer dizer, acho que eu tô gostando dela mais do que deveria, entende? Não era mais fácil sermos apenas amigos? Não era mais simples deixar uma mão bem longe da outra? Eu ainda não me acostumei com essa coisa de ver você me abraçando e sentir seu cheiro tão de perto, por isso eu me descontrolo um pouco às vezes. Eu tava tão habituada em estar sempre sozinha que é difícil entender porque alguém gostaria de ficar na minha companhia, sei lá. Você nunca me pareceu o tipo de cara que gosta de ficar só encarando alguém enquanto essa pessoa dorme, nem que mexe no cabelo de quem deita no seu colo, e eu sempre fui chegada num cafuné. Desculpa ter ficado surpresa quando você me abraçou e me disse todas aquelas coisas lindas só porque eu tava meio pra baixo. Eu pensei, pra ser sincera, que você fosse dar uns tapinhas nas minhas costas e ir embora. Nunca se passou pela minha mente que você aguentasse a barra que é ficar comigo – não só ficar, mas me dar esse apoio puramente amigável, também. Acho que você tinha razão sobre eu precisar de um ombro pra chorar de vez em quando. Ultimamente, você tem mostrado ter razão sobre tudo. Eu não gosto disso, você sabe: odeio ser a que não sabe nada sobre nada. Mas tudo bem, você me ganhou. Descobri que prefiro não ter razão a não ter você.”

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