“Eu desisti. Eu desisti de você, de nós, daquele tempo que eu achei que nunca mais fosse voltar. Eu desisti de sofrer por coisas que não valem a pena, desisti de virar noites em claro, desisti de chorar por saber que você é feliz sem mim. E quando eu comecei a ser feliz sem você, algo te incomodou e você voltou. Você voltou arrependido, pedindo perdão por ter ficado sete meses na indecisão. Isso mesmo, amor: Sete meses! Eu corri atrás de você por sete meses e você só soube dizer que havia acabado, só soube pedir desculpa por não ter sido bom o suficiente. Mas você sempre foi bom, pelo meu ponto de vista. Você sempre foi ótimo e insubstituível. Mas eu cansei de ter você como algo imaginário e decidi seguir com a minha vida. E quando eu voltei a sorrir – verdadeiramente – você decidiu voltar. Eu juro que não te entendo. Porque você sabe que seu amor me confunde, sabe que você me confunde por completa. Eu sempre fui a favor da teoria de que você tinha medo de amar uma pessoa como eu. E ainda acho que seja este o fato. Você tem medo de se ver dependente de uma pessoa tão independente. Mas caso eu esteja certa, você realmente não chegou a me conhecer. Porque toda a minha sede de independência foi embora quando te conheci. Eu passei a sonhar com futuro conjunto, passei a sonhar contigo morando comigo e me emprestando suas camisas de futebol. Mas você desistiu de tudo. Você pulou fora e me abandonou sozinha naquele barco cheio de furos perigosos. Você me deixou, consciente de que eu estava prestes a afogar. E eu me afoguei. Eu me afoguei nas milhares de lágrimas que derramei por sua causa. E você riu. Você riu dizendo que eu era boba e infantil. Você riu dizendo que eu não sabia colocar pontos finais nas coisas. E você segurou meu braço bem forte, dizendo: “Você acredita em contos de fadas, menina. Deixa disso. Não nasci pra ser teu príncipe, nem teu lobo. Vá inventar essas tuas maluquices folclóricas com outro, por favor”. E depois disso você partiu. Partiu porta à fora. Partiu meu coração em dezenas de pedaços sangrentos e nojentos. Você partiu, se esquecendo de que em algum momento, eu partiria também. Não era óbvio que eu não te esperaria para sempre? Não era óbvio que eu me cansaria? Não era óbvio que eu me apaixonaria por outra pessoa? As coisas são assim. Você mesmo disse que as coisas sempre acabam. Eu achei que não… Achei que meu amor por você seria eterno e estável. Mas olhe agora, eu já não te amo mais. Ou melhor dizendo, eu te amo sim, não posso negar. Mas já não é como antes, eu te amo bem pouco, quase nada. Eu sinto um imenso carinho por você e uma pequena revolta. Revolta por você não ter se tocado antes, não ter caído na real enquanto era tempo. Poxa, amor, eu implorei pelo seu arrependimento e você nada sentiu. Eu implorei pela sua volta e você nem reagiu. Agora você volta como se a culpada fosse eu. Fazendo-se de coitado e querendo minha piedade. O pior é que você consegue. Você sempre consegue. Droga! Eu estou novamente me envolvendo. Estou falando sobre futebol, suco de mamão e piadas idiotas. Eu estou voltando a me focar em você e isso não é nada bom. Logo agora que eu estou amando outro. Logo agora que eu consegui ser feliz. Você não deveria ter voltado, me desculpe. Você deveria ter dado continuidade ao ser amor de faixada e me deixado seguir em frente, amando e vivendo. Agora eu estou paralisada novamente. Voltei à estaca zero. E eu olho seu sorriso e me lembro o porquê de eu ter me apaixonado. Não era para ser assim, caralho. Não era! Você me fez muito mal e eu deveria te odiar. Mas aí você mexe no cabelo e fala que eu faço falta. E, mesmo eu sabendo que essa é a maior mentira já contada por você, eu me derreto e penso em me entregar. Mas eu não me entrego, eu tento focar em coisas novas. Tento focar no meu novo amor. Aí você mexe no meu cabelo, deixa as covinhas à mostra e diz: “Eu sei que ele não te faz tão bem quanto eu”. E eu sou obrigada a sorrir. Caralho, como eu te odeio, moleque! Como eu odeio sentir todo esse amor e essa raiva ao mesmo tempo. Você poderia muito bem ter me feito feliz enquanto ainda havia tempo, havia vontade. Agora já pouco há, só remorso. Agora o que eu sinto já não é o bastante para eu jogar tudo fora e voltar a ser sua. Porque eu quebrei a cara, eu me ferrei e eu cresci. Eu aprendi contigo que a vida não é um conto de fadas, muito menos um mar de rosas. Eu aprendi contigo que amar não basta, que ser feliz não basta, que querer gostar não basta. Eu aprendi contigo que as pessoas que mais amamos são aquelas que mais tendem a nos decepcionar, porque criamos muitas expectativas em cima das mesmas. E pessoas não são perfeitas. Você não é perfeito – por mais que eu tenha achado durante um ano e meio. Você não passa de um ser cheio de erros e obcecado pelo amor – de terceiras. Você quer mais é ser amado, e eu não te julgo. Mas reciprocidade faz bem pra alma e pro corpo. Querido, você nunca devolveu nada do que eu te entreguei. Nunca fez questão de me amar porque sabia que eu te amava acima de qualquer coisa. Agora chega! Não adianta fingir que foi tudo um grande erro. Pode até ter sido, mas você insistiu no erro. Insistiu nas minhas lágrimas. E agora eu vou sorrir, amor. Independente do caminho que você siga, agora eu vou continuar sendo feliz. Minha vida está muito boa e já não te cabe. E eu espero, do fundinho do coração, que logo logo não caiba mais nem um pouco do meu amor por você também.”

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