“Acho que, no final, a gente acabou desafiando nossas próprias crenças e fizemos aquilo que juramos jamais fazer: seguimos em frente. Cara, eu não sei quanto tempo faz que a gente não senta frente a frente pra dizer o que realmente está acontecendo entre nós, mas algo que me diz (e esse algo tem a ver com a frequência que seus olhos desviam dos meus) que nada de bom está por vir. Que nada de bom há nesse exato momento que vivemos. A gente sonhou demais, penso. Criou expectativas em cima de coisas que nunca existiram, buscamos argumentos inválidos para aceitar o fato de que as brigas fossem tão corriqueiras como vinham sendo ultimamente. Lutou em cima de um guarda-chuva de ponta cabeça… Mas a tempestade nunca existiu. Foi tudo nós, sempre foi nós. Culpamos o mundo exterior por matar nossas rosas, mas jamais pensamos que o motivo de sua secura fosse o fato de que não as irrigávamos como devíamos. Lágrimas nunca seriam capazes de florescer um jardim inteiro, mesmo que fosse o mar a sair dos meus olhos por te ver assim, tão elegantemente feliz. Eu me assusto com a rapidez que um mundo inteiro se desaba, com a facilidade que uma pétala pode causar todo um terremoto numa cidade inteira. Você soube desde o início onde iríamos chegar? Foi apenas até esse ponto que você pretendia ir? Eu sempre quis mais. E não ouvir você falar, gritar toda minha raiva e pegar um silêncio maciço no ar, tudo isso anda me cansando. Quanto tempo você ainda precisa para crescer, amor? Quanto tempo ainda será necessário até que sua casca amadureça? Isso, vai lá. Mantém a cabeça baixa enquanto eu ainda tento salvar o pouquíssimo que nos resta. Aproveita quando eu bato a porta na sua cara e não abro a boca para dizer uma palavra. Aproveita, porque o silêncio vai doer menos do que tudo que eu tenho pra te falar. Caça alguma vagabunda com as pernas finas e o coração dopado, se enfia entre um amor de boteco qualquer. Segue em frente, faz trilho de fogo por todos os lugares do teu passado em que eu ainda me encontro. Compra uma borracha nova e joga a minha no lixo, pra ver se consegue me apagar. Faz o que você bem entender, porque nada disso muda a verdade: coração não é que nem cachorro. Não volta com o rabo entre as pernas, pedindo desculpas por qualquer merda que tenha feito. Coração é cabeça dura – teima até que não haja mais argumentos e a guerra tenha sido vencida. E como você pretende que ele volte, se ainda não largamos nossas armas de fogo e muito menos erguemos a bandeira branca?”

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