Durante a madrugada, sem conseguir dormir direito, não pude evitar prestar atenção na bagunça que o vento fazia lá fora. Parecia furioso, com muita raiva e mágoa sendo descontadas em objetos e pessoas pela cidade. Algumas estavam trancadas e quentinhas dentro de suas casas, outras, sendo vitimas desse ataque.

Fiquei então fazendo essa comparação, e se essa ventania fosse alguém magoado que estivesse apenas mostrando ao mundo suas decepções? E se essa ventania fosse eu? No que eu bateria tão forte? Quem eu faria sentir tanto frio? Será que eu conseguiria mostrar a todos o quanto estou magoada? Será que entenderiam ou só reclamariam do quanto sou fria?

Foi quando percebi que eu já fui ventania, já fui tempestade, já fui furacão, mas que hoje sou calmaria. Por mais que algo me perfure internamente, não consigo mais mostrar ao mundo o quanto isso me afetou, cansei de ver pessoas me julgando errado, achando que estou apenas querendo fazer alguém passar frio ou descontar minha raiva em portas e janelas inocentes.

Já fui muita ventania, mas hoje, sou calmaria. Mesmo depois de passar o dia inteiro vendo coisas e pessoas que me magoaram e ainda magoam. Mas é importante lembrar que nenhuma calmaria dura para sempre, e que as vezes volto aos meus momentos de ventos e tempestade por ai, mas, agora, pelo menos, eu sei que não adianta sair atingindo qualquer coisa, não adianta querer que todos saibam sua dor, porque ninguém realmente se importa com isso. Portanto, mesmo meu quarto que agora me protege do frio, também presencia algumas ventanias, mas só assim, entre quatro paredes e nada mais.

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