“E por não entendê-lo, ela não o soltava nunca. E, talvez, esse fosse o principal motivo de deixá-lo ir. Ela era o total oposto do jeito dele, ele era total oposto das ideias dela, acreditava que esse era o tempero que os completariam, mas talvez fosse o que tiraria o sabor também. O tempo sempre foi o amigo alimentador da saudade, hoje o tempo se transformou na distância que alimentaria a vaidade. Ela guardaria fotos e lembranças dos detalhes que passariam despercebidos por ele, e ele talvez guardasse arrependimentos por não ter tirado fotos ou criado novas lembranças com ela. Amor é ficar , amor é partir, amor é seguir, o amor é tão libertador, mas acorrenta a mente, e quando a gente percebe ele vai embora e a gente nem sente.

E ela conseguia transformar dor em poesia. E a vida foi seguindo, os caminhos se tornando cada vez mais paralelos, livros de amor perderam a doçura que a fazia pensar que viver era amar, e as músicas, que sempre lembravam ele, passaram a ser o único elo entre ela e o amor. Será que viver é esquecer? Talvez sim, mas esquecer não é eliminar, talvez esquecer seja refazer a folha tão rabiscada de histórias e transformá-la em uma folha em branco novamente, para qualquer oportunidade livre de orgulhos bestas.

Doí, arde, queima, mas não tem sentimento mais gostoso do que sentir algo por alguém. O amor não devia doer, mas dói e isso não tira a beleza do sentimento, nem da sua vida. O desejo de estar junto é mutável, instável e totalmente sem controle. E nós, em resposta a isso, somos totalmente despreparados para qualquer coisa que pareça ter longa duração.  Por mais que sejamos livres, bem resolvidos ou completamente malucos emocionalmente, sempre teremos que pagar pela felicidade, e esse pagamento é o sofrimento. E não reclame por isso, se você é forte  hoje, é por que testou sua força alguma vez enfraquecendo. E isso tudo é só para lembrarmos que a vida não é fácil, e que nada que queremos vai durar sem que lutemos.”

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