“O jeito que a gente se conheceu foi totalmente clichê, foi como trombar em qualquer derrubando qualquer coisa sua, e depois rolava o que tinha que rolar. Eu sempre fui mais teu amiga do qualquer outra coisa, porque tu nunca foi do tipo de fazer meu tipo. Tu não era fútil, e isso sempre me tirou do sério. A sua diferença entre os outros. Tu nunca me deu bola e acho que foi por isso que eu tive tantos casinhos de algumas semanas depois de você. Por me sentir incapaz de ser alguma coisa pra você, que eu me tornei uma completa otária. Eu tinha um quase-relacionamento que nem certo dava. Tudo bem que contigo quase tudo dá errado, mas quando tu deixou escapar “gosto mais de você do que deveria”. Eu nunca fui de abrir os olhos sozinha, sempre precisei de um empurrão. Mas não estar contigo era uma burrada. Uma burrada que eu não sabia se dava pra consertar, por você ter todo esse teu gênio difícil e impossível. Tu nunca foi muito de acreditar em mim, e não foi diferente dessa vez. Eu larguei os casinhos, os acasos e até parei de esbarrar em pessoas quando eu virava a esquina. Tu nunca foi muito sensível, de demonstrar coisas. Mas quando demonstrava era tipo um fogo impossível de não tocar, quebrar a cara e se queimar. Porque tu é certo pra mim, mesmo que o modo como a gente começou tinha sido absurdamente clichê. Mesmo que a fixa relação que a gente tem dê errado e na maior parte do tempo não funcione. Tu tem medo disso poder dar certo, porque tu só sabe lidar com o que dá errado. Deve ser por isso que você passou a gostar mais de mim do que deveria. Porque o errado que você é, se embolou com a certinha que eu era. Não deu certo, mas não deu tão errado.”

(Adaptado)

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