“Eu podia começar outro texto dizendo o quão arrependida eu estou. Posso dizer que nunca imaginei que você fosse um erro, que eu achei que você era o cara.

Seria fácil enganar a todos dizendo que eu não sabia onde estava me metendo; seria fácil me enganar, até. Mas, pela primeira vez em todos esses casos de amor inegavelmente falidos, eu sabia exatamente onde estava me metendo. Sabia que você era um erro, e sabia que estava cometendo-o. Sabia na hora que te conheci, com esse teu jeito de moleque travesso, essa pose de machão e esse sorriso irônico.

V, eu sabia onde estava me metendo porque, pela primeira vez, eu encontrei um erro tão grande que eu poderia te chamar de “eu”. Igualmente irônica e travessa, eu nunca deixei você ganhar a batalha de quem é mais fodido. Mas também nunca ganhei, porque éramos iguais. Somos iguais, devo dizer. Eu gamei pelos seus defeitos, defeitos que eu conhecia tão bem. Me disseram que eu fiquei assim porque estava esperando que, consertando você, eu me consertaria também. E é verdade, V. Eu queria te consertar, para você me consertar. Não como algo que você me deve, mas como algo que dividimos. Algo que além dos erros, do jeito, do gosto musical e da nossa atração. V, não sei dizer o porquê, mas essa atração é louca, instantânea e forte. Não digo que é amor; amor é para os que não tem o que tínhamos. Éramos amigos, mas também éramos amantes. Éramos “nós” e não é nada melhor.

V, você é meu erro e eu sou o seu.”

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